Ações de prevenção ao suicídio já passaram por diversos pontos de Juara neste mês de setembro - da área urbana à zona rural.
As atividades integram o Setembro Amarelo e são conduzidas pela Secretaria de Saúde, por meio da atenção básica. Além de levar rodas de conversa à população, a campanha capacita os profissionais que atuam nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) para reconhecer sinais de sofrimento mental e saber como agir quando alguém pede ajuda.
A programação começou no dia 4, com uma roda de conversa no Lago Geraldão, promovida pelo CAPS Juara.
No dia 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, a ação chegou ao Centro de Saúde, ainda conhecido pela população como UPA.
Um dia depois, a equipe esteve no bairro Catuaí, em atividade voltada a crianças, adolescentes e jovens de uma escola da região.
Na semana seguinte, as UBS do Jardim Califórnia e do Jardim Alvorada receberam moradores para rodas de conversa sobre o tema. Nesta segunda-feira (21), foi a vez da UBS do Porto Seguro.
"É uma temática difícil de trabalhar, mas a gente busca levar uma informação respeitosa, de qualidade e de forma branda", afirma Renata sobre a abordagem usada nos encontros.
Ainda faltam duas etapas. Nos dias 24 e 25, as equipes atendem a comunidade rural da Linha 3. O calendário se encerra no dia 30, na UBS do Jardim América.
"Você que ainda não foi, compareça. Vamos passar informações importantes para que você conheça e reconheça sinais de pessoas que possam estar passando por sofrimento mental", convida a psicóloga.
04/09 – Lago Geraldão, com o CAPS Juara
10/09 – Centro de Saúde (UPA)
11/09 – Bairro Catuaí, em escola da região
17/09 – UBS Jardim Califórnia e UBS Jardim Alvorada
21/09 – UBS Porto Seguro
24 e 25/09 – Comunidade rural da Linha 3
30/09 – UBS Jardim América (encerramento)
Para a coordenadora da Atenção Básica em Juara, Daniela Mazutti, a mobilização de setembro reforça um trabalho que não tem data para acabar.
"Reafirmamos o compromisso da atenção básica em cuidar, acolher e receber cada paciente com uma escuta ativa, sempre buscando um atendimento mais humanizado para a população", afirma.
"Este mês, intensificamos as ações de saúde mental, mas elas continuam na vida das pessoas o tempo todo. É isso que buscamos: escuta e acolhimento humano", completa a coordenadora.
Segundo a psicóloga Renata Meira da Silva, o suicídio não é uma questão isolada de Juara, do Mato Grosso ou do Brasil.
"Não é uma questão local. É uma campanha mundial de combate ao suicídio", explica.
De acordo com a psicóloga, quem chega a cometer o ato costuma demonstrar sinais e sintomas antes, muitas vezes ligados a quadros como a depressão. O risco é maior entre pessoas com transtornos mentais, quem já perdeu familiares por suicídio, pacientes com doenças crônicas como o câncer ou dores constantes, e quem se sente desconectado do mundo e apresenta falas de desesperança.
A faixa etária de maior risco vai dos 15 aos 29 anos, mas idosos e mulheres também estão entre os grupos mais vulneráveis. Crianças, mais suscetíveis à opinião alheia, e adolescentes também exigem atenção das equipes de saúde.
"É preciso perceber esses sinais, porque o pensamento suicida é algo silencioso - ninguém fala", alerta Renata.
Quem precisa de apoio pode procurar a UBS mais próxima ou ligar para o Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo telefone 188, atendimento gratuito e sigiloso, 24 horas por dia.
A campanha nasceu em 2015, no Brasil, por iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).
O mês de setembro foi escolhido porque o dia 10 marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. O objetivo é quebrar tabus, reduzir estigmas e incentivar as pessoas a buscar ajuda especializada.